As grandes diferenças entre a Europa/ Estados Unidos e a África sobre o HIV/SIDA.
Li, com muita atenção os depoimentos e as Interrogações colocadas sobre o HIV/SIDA no mundo e sobretudo sobre os efeitos deste em África. Estou muito condoído com as vitimas deste flagelo que despovoa sobretudo a África, dia após dia.
Observando o comportamento dos europeus e dos estado - unidenses comparado com o dos africanos, tenho a dizer que se nota uma grande diferença. Em primeiro lugar, a África, desde há muitos séculos, foi transmitindo os valores culturais, noticias por via oral enquanto os outros por via escrita, jornal, rádio, etc. Assim, cedo, o povo europeu foi formado e informado sobe o vírus do HIV/SIDA com muita eficácia. Consequentemente, os europeus e estado-unidenses, aprenderam a precaverem-se enquanto que os africanos continuaram desinformados e ignorantes sobre a matéria. Outra questão é a qualidade de vida na Europa e nos Estados Unidos (US). Eles vivem bem. Isto leva à pessoa contaminada a resistir muito tempo com o sindroma dizimador. Não devemos pôr de fora o factor cultura e história dos povos.
Falando da história devemos olhar para a grande crise da civilização e cultura em África provocada pelo flagelo da escravatura, colonialismo e do neo-colonialismo económico que retardou e atrasou e continua a retroceder o desenvolvimento tecnico científico da África por muitos séculos. É de notar que por causa destes males a África perdeu e perde ainda capacidades de concorrer com a Europa/Estados Unidos (US) e com o resto do mundo no processo de desenvolvimento tecnológico e científico. Por esta razão e outras não pode investigar suficientemente métodos eficazes do combate ao vírus do HIV/SIDA. A África é refém dos resultados de investigação dos outros países .
Não devemos esquecer que antes do flagelo do HIV/SIDA, existia na Europa, um conceito sobre o sexo e sobre o matrimónio muito diferente daquele africano e, isto, ajudou a Europa a minimizar os efeitos deste flagelo.
Por último, gostaria de tocar o problema da riqueza. A maioria dos europeus pode comprar os medicamentos antiretrovirais enquqnto os africanos morrem pela incapacidade de o fazer. É de salientar que a pobreza é o maior inimigo da vida e da cultura dos valores humanos. O pobre se pode “comprar por um par de sandálias” dizia o profeta Amós. Em muitos países africanos existe e existiu este fenómeno acima referido. Em Moçambique, concretamente, existiu o fenómeno das famosas “noitinhas”. Todos os moçambicanos são conscientes desta fase que atravessámos. Para melhor me explicar, as famosas “noitinhas” (sandálias de plástico de pouco valor) não custavam nem três rands ou dólares lá para os anos oitenta. E a rapariga para não caminhar descalça se entregava ao cooperante e/ou turista europeu e americano para uma prestação sexual de uma noite por um par de snadálias. O cooperante e/ou turista em troca do serviço prestado lhe comprava estas sandálias nas lojas Inter – Francas do Maputo, Beira e Nampula, etc. Hoje o mesmo fenómeno continua em Moçambique. Nas barracas disseminadas por aí se compra uma noite de prestação sexual de uma mocinha (catorzinha) por um jantar ou por um naco de carne. “Titio compra-me um pedaço...” diz a menininha esfomeada, sem dinheiro nem esperanças. Isto tudo não acontece na Europa nem nos Estados Unidos (US) e quando acontece, a pessoa implicada se vê punida severamente pela autoridade civil executiva..
O outro aspecto que gostaria de salientar é o factor jurídico. Em outros contextos acima referidos, se pode recorrer à justiça se alguém te contaminar com o vírus dolosamente, coisa que aqui em África não acontece ou se existe nunca ouvimos dizer que alguém esteve em encrencas com a justiça por ter contaminado o outro com o vírus do SIDA, contrariamente ao que acontece na Europa e Estados Unidos. Todo este contexto não favorece a vida dos africanos comparativamente , como já afirmamos.
Não podemos dizer que os europeus não praticam o sexo com parceiros ocasionais nem tão pouco afirmar que eles são mais morais do que os africanos muito menos dizer que o sistema monogâmico é o melhor para evitar o HIV/SIDA nem tão pouco afirmar que na Europa não existe SIDA. Seria escamotear a verdade.
Sendo assim, podemos afirmar categoricamente que os países africanos devem caminhar e crescer no combate ao HIV/SIDA mediante uma solução radical dos problemas sociológicos, culturais, religiosos e políticos de que são vítimas. Devem unir-se em guerra aberta e sincera pela qualidade de vida dando-se totalmente para extreminar os grandes problemas que se lhes apresentam.
A meu aviso, o primeiro alvo a ser comnatida são as autoridades religiosas que favorecem a medida do não uso do preservativo e aconselham somente a fidelidade entre os cônjuges. Eles esquecem-se dos jovens apaixonados, inexperientes e abertos ao novo. Esquecem-se dos solteiros maiores e dos incapacitados para o matrimónio. Estes não são anjos nem são puros espiritos. Os camionistas, outros solteiros maiores e outros grupos sociais!.. A realidade ensina outra coisa e verdades sobre a vida. Antes do matrimónio e fora dele existe um “gap” não preenchido nem pela moral religiosa nem pela sociedade senão pelo contacto humano de amor. Por outro lado está a religião tradicional que aconselha ritos de purificação da morte que consistem na realização da primeira cópula da viuva depois da morte do parceiro com alguém da família do defunto. A mesma autoridade tradicional desinformada também desinforma as pessoas sobre o problema do HIV/SIDA. Como conciliar as verdades religiosas com o vírus do SIDA? Esta autoridade religiosa e a sua informação devem ser combatidas cem por cento por favorecer a propagação do HIV/SIDA. Certamente não bastam os antiretrovirais aliás, estes só servem para prolongar a vida e qualitativamente o sobrevivente não está no standard normal da vida (casa, medicamentos , alimentos e transportes, descanso e lazer, etc.). É um remédio que ajuda a resistir um pouco mais. Para mim, os africanos devem lutar por resolver o problema da contaminação mediante a criação de uma mentalidade sexual sã e socialização do homem mediante as medidas socio-politicas justas e sustentáveis ou realizáveis. Me entristeço por causa da politica africana que é cheia de muita demagogia! A sociedade deve esforçar-se em produzir bem e muito, distribuir bem a riqueza nacional, em tapar todas as lacunas abertas de contaminação do HIV/SIDA. Deve esforçar-se em criar e executar políticas sanitárias capazes de cobrir todas as necessidades da saúde do africano/moçambicano. Deve-se investir na educação que ajuda o africano a resolver os problemas que o assistem e evitar a recorrer aos curandeiros/feiticeiros qie somente propagam ideias erradas sobre o HIV/SIDA e contaminam as populações com o virus exterminador.
Eu pessoalmente não compreendo porque razão se regrediu em moçambique e em outros Estados africanos para se admitir os curandeiros/feiticeiros a entrarem, de certa forma, em concorrência com os sistemas nacionais de saúde. Em alguns países chega-se a sacrificar pessoas para se curar o HIV/SIDA porque o supersticioso curandeiro/feiticeiro o disse. Noutros pratica-se a pedofilia para tentar a sorte de se salvar do SIDA pois se acredita que fazendo sexo com uma criança se pode curar do SIDA. Este é o ensinamento de alguns curandeiros/feiticeiros. Porque razão os oficializamos e não os combatemos em Africa e particularmente em Moçambique?! Alguns curandeiros chegam chamarem-se “médicos” tradicionais!. Em alguns países existem associações dos curandeiros reconhecidos oficialmente ou com personalidade juridica. Em Moçambique existe uma associação dos curandeiros: AMETRAMO (associação dos médicos tradicionais de Moçambique). Que coisa é esta de “AMETRAMO” que coexiste com o Estado e destrói os cidadãos?! Segundo meu parecer estes devem ser combatidos. Eles chegam a assassinar homens válidos capazes de contribuir para a resolução dos problemas do país simplesmente para promover os amigos no poder. Envenenam e matam o sábio, para poder manter a ignorância no povo já que é sabido por todos que na ignorância também reside o poder dos que se julgam os únicos sábios e por isso imprescendíveis mais que os outros. Sob o pretexto de tratamentos para se obter sorte dizem: “ eu te trato para teres sorte e seres promovido”. Eles matam o Doutor e fica o bacharel ambicioso e, consequentemente o menos competente será chefe. De seguida o feiticeiro se auto-proclama vencedor pois conseguiu colocar um como ele no poder. Certamente será o mesmo chefe que vai autorizar “AMETRAMO”. E a África continuará no fim da fila como sempre. Continuará a encubar o virus do SIDA. Com este caminhar a África futuramente não será dos africanos mas...

